terça-feira, 21 de junho de 2016

Os Brutos Também Amam

                Recentemente recebi um convite do Ministério do Meio Ambiente que solicitava a minha presença em uma reunião a fim de discutir alguns pontos do que eu poderia fazer num lotezinho de terra da família.

                Pois muito que bem, aguardei o dia em que fora solicitada a reunião. No dia combinado estava me arrumando para sair de casa. Estava todo garboso (se você não sabe o que garboso significa, sinto muito) e engomado.

                Marrom, infelizmente, é uma cor hoje considerada um pouco démodé. É muito raro ver pessoas vestidas de marrom, porém eu tinha um trunfo na manga. Herdei alguns ternos de meu avô que em sua época jovialesca usava em eu cargo de Fiscal. Em especial ele tinha um terno marrom majestoso e imponente. Vovô era um pouco barrigudo e, carinhosamente, era chamado de kibão por colegas e familiares nos dias em que vestia este terno.

                Coloquei o terno e a pergunta “O defunto era maior?” nunca pareceu ser tão pertinente. Mas em razão das novas modas tais como hipsters, indies e lumberjacks, achei que estava no estilo.

Como a reunião seria com o Ministério do Meio Ambiente achei mais do que apropriado usar um perfume amadeirado para a reunião.

Calculei mais  ou menos uma hora, com sobra, para chegar até o local da reunião. Olhei mais uma vez o convite, entrei no carro e coloquei as informações no Waze. Ah, santo Waze, assim como Moisés liderando seu povo através do Mar Vermelho, o Waze me conduz. É verdade que uma certa vez ele me indicou cortar caminho e acabei caindo numa comunidade não muito acolhedora, meu bom senso na hora me indicou que eu abaixasse os faróis, mas mesmo assim ainda fui recepcionado pelo representante do líder da comunidade. Por segurança e instrução da polícia, hoje atendo por um outro nome.

Mas aquele dia não! Aquele dia eu estava vestido para matar. Não no sentido literal é claro, se você é da PF ou simplesmente da Guarda Civil Metropolitana e está lendo isso, repito, eu não tenho qualquer tipo de envolvimento com as atividades praticadas por aqueles senhores, eu só vi o que vi porque estava no lugar errado, na hora errada. Isso foi só uma figura de linguagem.

Continuando... Inseri o endereço no aplicativo e deixei que ele calculasse a sua rota.

Eu estava um pouco nervoso, mas coloquei uma musiquinha no carro para entrar no clima. Como a minha referência mais próxima de meio ambiente foi a novela Pantanal, exibida pelo canal SBT, acabei por colocar a sua trilha sonora. Enquanto Ivan Lins magnificamente cantava a minh’alma parava para ouvir. Qual de nós não carrega no peito um segredo de amor escondido?

Após mais ou menos o tempo que eu havia calculado cheguei no meu destino. Estranhei um pouco, pois eu esperava algo mais como um prédio comercial e me deparei com um grande estacionamento com uma espécie de estádio no centro.

Óbvio que aquilo só poderia significar que todo o escritório era uma estufa gigante. Mas que esplêndido.

Estacionei o meu carro (naquele dia mandei encher de álcool, ouvi dizer que esse pessoal é um pouco agressivo, achei melhor entrar total na onda) e fui caminhando pelo grande pátio até a sua entrada.

Cheguei na recepção e perguntei:

- Ô querida, tudo bom? É aqui que fica o MMA?

A moça levantou sua cabeça, me olhou com tédio. Mascava um chiclete que deixava um cheirinho de tuti fruti no ar. Ploc. Ela estourou uma bola da goma. Me olhou de cima a baixo e finalmente disse:

- É.

Objetiva, gosto disso.

- Olha eu tenho uma hora marcada e gostaria de saber com quem eu devo falar.

- Você tá com o ingresso, cara?

Ingresso? Mas que raio de ingresso era esse?

- Então, meu bem, não falaram nada de ingresso pra mim.

Ploc. Mais uma bola de goma estourada.

- Sem ingresso não entra, cara.

Pensei cá com meus botões pra quê seria necessário o ingresso, mas imaginei que pudesse ser para fins de manutenção e preservação de algumas espécies de plantas ali contidas.

Pra ser sincero, digo até que a minha primeira impressão fora um pouco decepcionante, já que na recepção só podia se ver alguns vasos de planta, nada muito majestoso quanto a minha mente viajava ser.

Refleti mais alguns momentos e me perdi em algumas cenas para sempre guardadas na minha mente daquela novela. Mas fui retirado do meu transe.

- Cara, cê tá bem?

- Estou muito bem, docinho. Me vê um ingresso então.

Saquei o meu cartão.

- Aqui só aceita dinheiro, tio. – ploc. – Cartão é só ali com aquela moça. Miga, passa o cartão ai pra ele? Brigada, linda.

Direcionei-me então à outra senhorita e fiz a compra do meu ingresso. Confesso que eu já estava um pouco nervoso, pois em teoria a reunião já se iniciara. O que pensariam de mim?

Fui orientado sobre o portal ao qual eu deveria me direcionar e dei de cara com um segurança que pediu o meu ingresso, aquela brincadeira começara a ficar um pouco exaustiva.

Passei pelo portal e seu guardião e adentrei o que para minha surpresa não era uma estufa.

Fui até o guardião e perguntei o que estava acontecendo e então ele me olhou como se eu fosse um louco que acabara de executar uma fuga bem sucedida de um hospício.
- Senhor, aqui é o MMA.

- Sim, eu sei que é o Ministério do Meio Ambiente, eu tinha uma reunião marcada.

Embora o local estivesse escuro eu podia encontrar confusão nos olhos do guardião.

- Mas aqui não é esse tal de ministério. Aqui é a luta de MMA.

- Hã?

- Luta, senhor. Não vê o ringue ali?

- Hein?

- Jorge? Ô Jorge, vem cá. Ajuda aqui ele?

Jorge, saiu das sombras como se fizesse parte dela, surgiu do meu lado antes que eu pudesse recobrar o meu juízo.

- Escuta, mas aqui não é a Rua Santa Luzia, 400?

Os dois me olharam e Jorge respondeu:

- Não, moço. Aqui é Santa Luzia 4000.

Mas o que diabos estava acontecendo? Saquei meu celular, mais rápido que mocinho saca sua arma em filmes de velho oeste e entrei no aplicativo. Lá encontrei a fonte do erro, na emoção de ouvir a introdução de Sagrado Coração da Terra de Marcus Viana, acabei digitando mais um zero em meu caminho.

Maldição!

Deixei os senhores de lado e rapidamente tentei entrar em contato com o verdadeiro Ministério do Meio Ambiente para avisar sobre a minha confusão, já se passara mais de meia-hora do início da reunião.

Uma voz feminina me atendeu:

- Alô, por favor meu nome é [branco] (fui recomendado a não divulgar meu novo nome, questões de segurança) e tenho uma reunião marcada para às 18h. Eu estou atrasado, mas é que eu vim parar no MMA errado.

A moça pareceu muito compreensiva, mas disse que infelizmente todos já haviam ido embora do escritório e que eu poderia tentar conversar com alguém no dia seguinte.

Após tamanha vergonha não me restara outra alternativa, senão então ficar para o outro MMA. Algumas coisas então passaram a fazer sentido e a minha vontade era sumir, mas quem nunca fez isso? Mamãe me ensinou a tocar o barco e assim o fiz.

Não demorou muito para que aquele estádio se enchesse de pessoas ávidas por assistir um esporte sobre o qual meu conhecimento era tão zero, quanto o zero que incluí a mais no endereço. Mais zero, do que o zero à esquerda que eu me sentia naquele momento. E também mais zero do que tinha no valor do ingresso, que afinal, não iria para a ajuda no meio ambiente. Cada dia um 7 a 1 diferente.

Passaram-se uns 10 minutos, eu acho, não estava contando, e foi dado início ao evento. Pelo o que eu entendi ia rolar uma série de lutas com 3 rounds com duração de 5 minutos cada e depois a luta principal com 5 rounds e 5 minutos cada.

Um engomadinho de terno, pensei que na hora era mais um que tinha vindo parar no lugar errado, foi para o meio do ring e começou a fazer a introdução daqueles que iriam lutar.

Meu amigo, vou te contar uma coisa pra você, quem imaginaria que aquele senhorzinho todo engomado podia ter a voz tão gutural quanto um vocalista de banda Heavy Metal após fumar 5 maços de cigarro por dia durante 30 anos?

Ele então gritou os nomes dos dois oponentes e a galera foi à loucura! E tenho que admitir, até eu senti a emoção, me senti uma garotinha de 7 anos numa festa surpresa das princesas. Uma lágrima, solitária, escorreu do canto do meu olho esquerdo. Pensei ser emoção, mas é a minha alergia quanto àquelas fumaas artificiais.

Ding. Ding. Ding.

O primeiro round começou.

Gancho de direita! Chute de esquerda! Um giro com um chute! O outro oponente se esquivara e a multidão: Oooooh!

Um Jab de esquerda! Um vindo de baixo! Defesa!

Soco, soco mão fechada
Bate, bate mão aberta



Fim do 1º round.

Se tocar
Se bater fora
Bobeou a gente erra
Tá na hora de brincar
Vou fazer bem devagar
Porque logo, logo vai acelerar



Fim do 2º round. A galera estava em polvorosa, o oponente de shorts claros estava parecendo que ia perder.

Soco, soco, bate, bate
Soco, soco, vira, vira
Soco, bate, soco, vira
Soco, bate, vira



                POR ESSA NINGUÉM ESPERAVA! Nocaute do lutador de shorts claros no oponente de shorts pretos. Gritos com seu nome ecoavam no grande salão, em uníssono, como num ritual estranho de magia negra que a gente acaba participando sem querer.

                E assim as lutas se seguiram! Umas mais quentes e outras nem tanto. Contrastando com o meu terninho marrom eu já possuía uma luva de espuma em formato de luva de box e um boné, que esse sim eu tinha certeza que ajudaria uma boa causa: UFC – Universidade Federal do Ceará. Os jovens precisam de muito investimento para a educação, Paguei com gosto.

                O evento chegava próximo ao seu fim e eu gritava junto com outros brutamontes. Da minha boca saiam palavras de baixo calão e piruás de pipocas que não estouraram e eu guardava do lado interior do lábio superior pra cuspir de volta no saco de pipoca.

                Eu me sentia vivo! Energizado!

                E então anunciaram a luta principal da noite. Eu estava delirando com o restante das pessoas, muito embora eu não soubesse quem iria lutar e muito menos tinha guardado o nome de quem já havia passado pelo ringue.

                Então o senhour (senhor) voltou ao meio do ringue e de microfone na mão e anunciou o nome dos próximos lutadores. Se eu pudesse garantir que a coisa não ia ficar muito violente, eu tinha pedido pra alguém me dar um beliscão.

                Precisei tomar um gole do meu refresco sem gelo e superfaturado para poder engolir o que eu tinha acabado de ouvir junto com o punhado de pipoca que coloquei na boca e deixara uma boa quantidade de casquinhas agarradas na garganta.

                Poderia ser sonho, mas era a realidade o locutor acabara de chamar Éder “Gente Boa” Jofre pro ringue, junto com Roque Marciano. Macacos me mordam, aquilo só podia significar duas coisas: ou eu estava prestes a participando do Telegrama Legal do Gugu ou então dois dos meus melhores amigos de infância estavam prestes a se enfrentar num ringue. E pra quê?

                Todos ali aplaudiam e vibravam com a entrada daqueles dois, mas será que eles não viam? Éder, mais conhecido como Édinho Gente Boa na nossa rua e Marciano, apelido dado devido ao tamanho de sua cabeça, dois amigos de longa data, que iam na casa um do outro para jogar uma boa partida de pelada no Nintendo Wii, estavam frente a frente para lutarem, Deus sabe se até a morte, num jogo atroz.

                Alguém precisava fazer alguma coisa e pelo jeito essa pessoa teria que ser eu. Desci das arquibancadas e fui correndo em direção ao ringue. Um dos guardiões me parou, era Jorge.

                - Jorge, meu rapaz! Que bom lhe encontrar de novo.

                - O que tá pegando, cara?

                - Olhe, meu bom, estou vendo dois amigos meus que estão prestes a entrar num conflito e estou determinado a não deixar que isso aconteça. Você pode se unir a mim e me ajudar ou então pode sair do meu caminho.

                Há, há, meu velho! Acho que eu mostrei quem estava no comando.

                Com Jorge de um lado e um camarada de outro, fui escoltado para uma salinha, onde eu deveria permanecer até que acabasse o jogo. Lá, cadeiras pouco confortáveis e uma televisão SempToshiba sintonizada na luta que era transmitida ao vivo internacionalmente.

                Com muita dor no coração vi aquela luta começar.

                Édinho já não era uma beleza, com o soco que levou do Marciano o que era feio ficou pior.

                Ai, doía em mim.

No corredor onde eu estava havia um guardião do meu lado direito e então algo me ocorreu, pedi que fosse liberado para usar o banheiro, lá eu poderia pensar e também me aliviar após uma boa quantidade de pipoca com aquela manteiga.

Em meio a um breve reinado pude perceber que a janelinha do banheiro dava de frente pro ringue, aquela era a minha chance. Com minha astúcia tive a brilhante ideia de baixar um aplicativo de sons de banheiro, como vômitos e puns, assim ninguém em seu juízo normal se atreveria a entrar no banheiro. Por azar eu estava com um 3G um pouco lento então eu tive que ir adiantando eu mesmo alguns barulhos.

Acessei o aplicativo. Raios, feche logo propaganda. Não tenho problemas com hemorroidas e sim com coisas mais sérias. Ahá, finalmente. Coloquei os barulhos.

De fora eu pude ouvir o guardião perguntando se eu estava bem, em resposta o aplicativo mandou um alto, belo e sonoro som de vômito.

Enquanto isso eu escalava a pia para poder fazer um pezinho para que eu alcançasse a janela. Por uma infelicidade minha estatura é baixa e tenho uns sobre quilos, niqui (no que) tentei passar pela janela fiquei entalado.

Tenho que dizer que de fato não fora um plano muito bom, pois parte da multidão olhava pra mim e parte olhava para a luta.

Lá eu gritava:

- Édinhooo! Maricano! Parem! Parem, por favor. Vocês são amigos! Amigos não fazem isso uns com os outros!

Eles pareciam não conseguir me ouvir Eu tentava gritar mais alto e mais alto, quase uma ária de A Rainha da Noite.

O segundo round estava terminando e os dois estavam parecendo dois animais.

Mas eu não desistiria! Recomecei a gritar.

Ding. Ding. Ding. Fim do 2º round.

                - Éder, sou eu! Por favor, me ouça meu caro! Por favor, me ouça! – ele deu de costas e foi sentar-se num banquinho. Eu estava agitando os braços e gritando e boa parte da multidão já percebia uma movimentação diferenciada. Foi então que meu olhar se cruzou com o de Éder. Eu, no momento, não pude saber se ele realmente me vira, pois eu estava sendo puxado de volta para o banheiro. Que não era de todo mal, afinal de contas eu entalara um pouco naquela janela tão miúda.

                Dessa vez Jorge me olhava com cara de que iria arrebentar com a minha cara, mas como mandam as regras de etiqueta, assumi que eles nunca bateriam em alguém de óculos. Questão essa que felizmente não cheguei à resposta, pois no corredor ao longe vinham, e isso poderia ser uma miragem?, Édinho e Marciano. A cavalaria vinha ao meu socorro.

                No mesmo instante Jorge e seus capangas me soltaram e eu corri em direção aos meus amigos. Nos abraçamos como irmãos que se reencontram num daqueles programas de TV.

                Lágrimas escorriam de meus olhos, tanto pela emoção e tanto pelo abraço forte (mais tarde eu descobri que ali tinha fraturado minha costela.

                Perguntei o por quê de dois tão grandes amigos estarem num esporte tão sanguinário como este.

                Ambos me disseram que era por puro gosto. E eu não me conformava!

                Falei que Dona Joraima, mãe de Éder e Dona Adalgiza, mãe de Marciano, jamais aprovariam o comportamento dos dois.

                Se me lembro bem, os dois desde muito novos se atracavam num quintalzinho de terra batida, e Dona Joraima, que era muito chegada de Dona Adalgiza, sempre gritava:

                - Suas pestes! Brincadeira de mão não dá certo. – e separava os dois com abundantes chineladas no lombo de ambos. Eu que só assistia, morria de dar risada.

                Olhei nos olhos de ambos, e muito embora estivessem inchados de tanta porrada, eu pude ver que eles encaravam esta memória, evidentemente emocionados.

                Os dois, no entanto, me disseram que não poderiam parar a luta naquela altura do campeonato. Eu tentei protestar, mas nada feito. Ambos tomaram uma posição teimosa, mais teimosa que mula com preguiça.

                Eu tentei fazer o que podia. Jorge queria me expulsar, mas a pedido de Édinho e Marciano eu pude ao menos retornar ao meu lugar desconfortável no corredor. Corredor da morte, esse, se você quer saber. A morte de uma bela amizade, a morte de um sentimento lindo.

                Ambos voltaram para suas posições no ringue, o engomadinho tentava domar a multidão que estava absurdamente enlouquecida com a grande pausa dada na partida.

                Logo antes de soar o gongo Éder e Marciano tomaram suas posições, um encarando o outro. Mas algo havia mudado. SIM! Só podia ser isso!

                Ding. Ding. Ding. Meu coração acompanhou a batida do gongo.

                - Lutem. – vociferou o juiz, o carrasco.

                Para a surpresa de todos, mas não a minha, pois eu já sabia o que estava acontecendo, Édinho “Gente Boa” Jofre e Roque Marciano ao invés de se socaram, deram as mãos e ergueram em sinal de vitória.

                A arquibancada se dividiu entre vaias e gritos de incentivo!

                Os dois deram um grande abraço. O juiz, sem entender, preferiu separar, pois se fosse briga, depois não seria acusado de não estar fazendo seu trabalho.

                Os dois deixaram o ringue abraçados!

                Lágrimas torrentes escorriam de meus olhos, pedi para ir ao banheiro novamente, Jorge não deixou. Tive que assoar o nariz na mão e limpar na cadeira. Nojento, mas aquele momento significava muito mais.

                Novamente vindo pelo corredor, estavam ali, unidos como arroz que empapa, Édinho e Marciano.

                Nos abraçamos novamente. E então eu disse:

                - Eu tenho muito orgulho de vocês, meus chapas.

                Poderíamos todos ter imaginado a mesma coisa, mas todos nós podíamos ouvir Roar da Katy Perry tocando, uma música que sempre fizera parte de nossa história.



                Naquele momento eu soube: os brutos também amam.

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